O APAGAMENTO COMO PROJETO
Toda história tem uma origem. A nossa começa com o reconhecimento de que a história oficial do Brasil é, em grande medida, uma narrativa de apagamento.
Por séculos, uma lógica de extração tem operado sobre os territórios periféricos. Retira-se a força de trabalho, a criatividade e a cultura, e suas histórias são apropriadas, editadas ou apagadas para servir a outros interesses. A cultura é consumida e a autonomia, negada.
Isto não é uma opinião: é um fato histórico.
A COLETIVIDADE COMO RESPOSTA
Mas, das formas de exploração, se estabeleceu a resistência coletiva. Das tentativas de silenciamento, forjaram-se linguagens e saberes transmitidos de geração em geração. Das políticas de segregação, surgiram novas irmandades e comunidades.
A raiz que nutriu o Brasil e que ainda hoje floresce como sua expressão mais original é indígena, africana e popular. O Instituto Favelas nasce para servir a essa força histórica e coletiva.
Rejeitamos o papel de quem fala “pela” favela ou oferece soluções prontas. Escutamos, conectamos e fortalecemos os
saberes e soluções que já existem nos territórios.
A HISTÓRIA VIVA É O HORIZONTE
Existimos por um propósito fundamental: o direito de um povo se reconhecer e construir sua própria história, como sujeito, autor e guardião. Partimos do princípio de que a história e a memória são o coração de todo processo de fortalecimento periférico, espaço em que saber e afeto se reencontram.
Os arquivos periféricos constituem o elo de uma história viva, na qual ancestralidades e futuros se materializam no aqui e agora, pulsando nos territórios, na potência do cotidiano e nas inovações políticas e sociais das comunidades, afirmando-se como ferramentas de ação e autonomia.
Criamos pontes e compartilhamos ferramentas para que os territórios sistematizem seus saberes e fazeres, fortalecendo suas organizações e comunidades. Tecemos redes em que o conhecimento de uma comunidade se torna inspiração e caminho para outra, desenvolvendo uma rede de saberes periféricos e tecnologias sociais que se multiplicam. Olhamos para o passado para que o futuro não seja mais uma repetição do apagamento.
Lutamos por um Brasil onde os territórios periféricos sejam reconhecidos como polos de inovação, tecnologia social e governança do país.
O único impacto real é aquele que se multiplica, e a autonomia coletiva é a tecnologia social mais poderosa para essa multiplicação.
As raízes, os caminhos e o futuro do Brasil pulsam nas
favelas e periferias.



